Pescadores da comunidade Guarapes, localizada na Zona Oeste de Natal, realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira (2) para exigir esclarecimentos das autoridades ambientais sobre a recente mortandade de peixes nos rios Potengi e Jundiaí. A situação preocupante tem impedido os trabalhadores do setor de exercerem suas atividades e garantir o sustento de suas famílias.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) confirmou que está investigando a causa do problema, embora ainda não tenha encontrado evidências conclusivas. O Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) também está envolvido, tendo realizado a coleta de amostras de água e dos peixes mortos, com resultados das análises previstos para serem divulgados em até 20 dias.
Imagens enviadas por pescadores ao Idema mostram uma grande quantidade de peixes mortos nas margens do Rio Potengi, incluindo diversas espécies, além de siris e sururus. A preocupação é crescente entre os pescadores, que relembram um episódio semelhante que ocorreu em 2007, quando cerca de 40 toneladas de peixes morreram devido a suspeitas de poluição por resíduos químicos. Marlúcia Arthur, pescadora com 40 anos de experiência, expressou seu temor de que a situação atual se agrave e afete ainda mais a renda da comunidade.
Robério Nascimento, outro pescador da região, destacou a grave situação enfrentada por muitos que dependem do rio para sobreviver. Ele alertou para a necessidade de uma resposta das autoridades sobre a possível contaminação que está causando a mortandade. “Todo mundo está prejudicado, ninguém sabe de onde veio o problema, mas alguém precisa assumir a responsabilidade”, lamentou. A situação se agrava com a presença de um odor forte nas margens do rio, e a maré está espalhando os peixes mortos para áreas adjacentes.
Os pescadores relatam que a morte dos peixes impactou diretamente suas atividades, com canoas paradas e a insegurança em relação ao futuro da pesca na região. Leandro Arthur Pinheiro e Manoel Fernandes, também pescadores, testemunharam a cena alarmante de peixes e siris emergindo da água, indicando uma situação de emergência que requer atenção urgente das autoridades competentes.