Davi Alcolumbre, presidente do Senado, está em conversações para articular um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com a intenção de fortalecer sua base de apoio para a reeleição à presidência da Casa. A estratégia, que foi revelada por aliados de Alcolumbre, também visa amenizar a pressão por ações de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das opções discutidas por Alcolumbre é solicitar ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva um indulto humanitário para Bolsonaro. Caso essa alternativa não seja aceita, há informações de que ele estaria disposto a trabalhar por uma proposta de anistia no Congresso Nacional. Enquanto o indulto é uma prerrogativa do presidente, a anistia requer aprovação legislativa, o que tornaria o processo mais complexo.
Apesar de Alcolumbre ter se encontrado com Lula recentemente, a questão da anistia não foi abordada na ocasião. O presidente do Senado espera que a repercussão das eleições influencie o momento adequado para discutir a proposta. Seus aliados afirmam que a negociação deve esperar também o desfecho da saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil.
A negociação do perdão a Bolsonaro envolveria uma troca de compromissos, onde parlamentares de direita se comprometeriam a reduzir a pressão por impeachment de ministros do STF, direcionando as discussões para reformas no Judiciário. O ministro Alexandre de Moraes, que foi relator do caso que resultou na condenação de Bolsonaro, é um dos principais alvos das tentativas de afastamento por parte da oposição.
Além disso, Alcolumbre está atento à questão da lei que permite a redução de penas para condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, cuja análise está suspensa no STF. Um aliado considera que a validação dessa norma poderia ser um passo inicial para estreitar laços com apoiadores de Bolsonaro. A discussão sobre uma possível anistia ainda precisa ser cuidadosamente elaborada para evitar veto presidencial e resistência durante a tramitação nas Casas Legislativas.